
abutre alado
"o olho serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio"


A flor cai no lago
Desliza, bela, singela,
Afago que afoga...
(Edmar)

Os Mil Braços da Deusa da Misericórdianão preciso do dinheiro
me fodo sozinho sei
amolar meio mundo mídia
vesgo vago meu amor via
somos parecidos desiguais
desejo beijo da lôca
doenteucorpoemeu
de amor incompleto
sofronésis sofroeu
CORPOTEU
POEMATEU
SOLIDÃO SE NOTA
SÓ
grita o gregório
delgado pai de deus
(como pôde simplesmente assim ir
se quem criou)
fui eu(s)?


Meus olhos em águas de te ver partir
Enevoam tua imagem na minha lembrança
Te quero amiga sem te ver sofrer
Te quero sempre sem poder te ter
Conservo teus olhos nos olhares meus
É por ti gostar que te quero embora...
Embora chore por não ter-te amar-te amor-te morrer
Nos versos do poeta triste
(Edmar Oliveira)

foto de Alex Branco



ninguém nasce humano
torna-se
o homem não existe
é inventado
(cópia da máscara de outra cópia)
o que há é o homo sapiens
assassino
voraz
estuprador
sob a seda, a escapar dos punhos de renda
o orangotango
consumidor/explorador/detonador de tudo aquilo
que é e que não é
self
sem essa
de socialismo ou barbárie
sem essa
da natureza essencialmente má
sem essa
do selvagem naturalmente bom
isenção de impostos
para
a confissão agnóstica
já!
