quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Haikai com fome



abutre alado
prometeu acorrentado
comer meu fígado

(Edmar Oliveira)
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© Foto de Ke
vin Carter. Abutre aguarda morte de criança no Sudão.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

emma thomas



até que seria fácil ser um grande canalha
mas sempre seria preciso
ser grande
ser irmão e irmã adotar gatos fazer versos
isso sim
são coisas grandes demais
querida Sissi desista
de saber si
ou de querer esclarecer
como é e como foi pra mamãe
(Mystérios Gozozos)
funke-se quem puder
baby
deixe-a perder a mente
e virar bicho e voltar a ter cheiros fortes
e novos
e só lembrar do mais simples dos antigos
jogos
porque se é bicho também tem aquela máquina
de lembrar e esquecer fantasmas
afinal foi você mesma que disse
que nunca vou poder parar
de fugir
e me explicou que a fuga é uma arte
de parir umbigos
voa quem puxar por eles e sair do chão
uma vez que quem sonha que voa
está com medo (dos vivos)
e que é por isso que me perco e acerco do centro
em deslocamento
como é certo que todo aquele que aceita dormir
no teu sexo-restaurante
deve ser íntima
vítima da própria verdade
e mesmo que não fosse assim me diga
¿como poderia saber que jamais
em ti
ia encontrar paz
e seguiria assim
andariego
?
sou sempre precário sempre esboço
somente um moço
de recados
esforçado
boçal
e

haikai ao lago


A flor cai no lago

Desliza, bela, singela,

Afago que afoga...

(Edmar)

foto do flickr de "Míamalu"

domingo, 22 de novembro de 2009

a cama de Gonçalo Pires


Onde si rellatam os factos tais como foram sertificados nestes autos aquando da requisitação de huma cama na villa de são paullo durante visita de s. exa. o ouvidor real e da tomada da quall cama polos ofisiais da camara da sobredita villa.

Só o tempo mostra às vezes todo o bem que alguém fez, já o mal se percebe logo de cara. Naquela época o Brasil, colonizado por portugueses, holandeses e franceses, integrava os domínios dos reis Habsburgos conhecidos como os 3 Filipes de Espanha. Expandia-se a ocupação do país na direção do interior, vilas como São Paulo de Piratininga cresciam impulsionadas por uma gente orgulhosa e bravia. Era agosto de 1620.

De modo a não passarem vergonha com o rústico mobiliário da Casa da Câmara, os “homens bons” da vila de São Paulo discutem a melhor forma de acomodar o Ouvidor Amâncio Rebêlo Coelho, incumbido de aplicar na colônia os rigorosos capítulos das Ordenações de Sua Majestade. O problema angustioso: não havia leitos decentes em toda a comarca e as notícias davam conta de que a liteira com redes de abrolho que transladava o alto dignitário já chegara a Cubatão.

Dormia-se in illo tempore segundo critérios étnicos: os brancos em camas, os negros em catres ou no duro chão da senzala e em redes os índios. Porém, as camas que serviam à classe senhorial paulistana não passavam de caixotes feitos na terra, mal se distinguindo das enxergas da escravaria. Seria um desdouro, uma incivilidade a manchar o nome e a fama da vila, se o magistrado itinerante tivesse de repousar os costados numa cama de negros!

Até que alguém se lembra da cama de Gonçalo Pires, uma bela cama de madeira carpintejada e coberta de rico dossel que ele trouxera da metrópole. Três expeditos vereadores vão requisitá-la na casa do dono que recusa todas as propostas, não empresta, não vende, não aluga e não cede a nenhum argumento. E ainda acrescenta: o senhor ouvidor que durma onde quiser, mas não na minha cama.

Diante da obstinada recusa, o juiz e o alcaide da vila mandam uma força municipal composta de dois oficiais armados com arcabuzes e seis índios com bordunas, machetes e cordas. Dois cabras são necessários para imobilizar um indignado Gonçalo Pires enquanto os índios desarmam a cama e a levam com o sobrecéu, os cobertores e lençóis de algodão rumo à Casa da Câmara, onde no dia seguinte iria dar descanso às fatigadas banhas do senhor Ouvidor.

Longos sete anos se passarão numa batalha jurídica na qual a câmara notifica, oferece compensações financeiras, ameaça, multa, roga e Gonçalo Pires sequer se digna a responder às mais altas autoridades da circunscrição. Amigos e conhecidos contavam que, perguntado, “... o quall respondeo que lha dessen como lha tomaram, que então a receberia”. Tal como o rio de Heráclito, que nunca é o mesmo a cada vez que se entra, o solerte Gonçalo sabia que aquela não era mais a sua cama.

ligo louco só pra ouvir a voz dela (homenagem ao poeta Gregório Delgado)

Os Mil Braços da Deusa da Misericórdia

não preciso do dinheiro
me fodo sozinho sei
amolar meio mundo mídia
vesgo vago meu amor via

somos parecidos desiguais
desejo beijo da lôca
doenteucorpoemeu
de amor incompleto
sofronésis sofroeu

CORPOTEU
POEMATEU
SOLIDÃO SE NOTA


grita o gregório
delgado pai de deus
(como pôde simplesmente assim ir
se quem criou)

fui eu(s)?



Eu E Minha Sombra Sufocada Pela Grande Sombra







Pessoa mediana




Eu cresci e virei uma pessoa mediana

Não entrei direto na USP, como previam
Não virei uma revelação musical, como torciam

Meu carro está batido
Eu ponho roupa no varal
Não vejo mais filmes iranianos
E eu não tenho passaporte

Fiz do inesperado meu trunfo
e ganhei a lucidez da visão
de que o perverso
estava no mapa colorido e 3D que me havia sido entregue.











Agora, só o vento.

sábado, 21 de novembro de 2009

casablanca



Meus olhos em águas de te ver partir

Enevoam tua imagem na minha lembrança

Te quero amiga sem te ver sofrer

Te quero sempre sem poder te ter

Conservo teus olhos nos olhares meus

É por ti gostar que te quero embora...

Embora chore por não ter-te amar-te amor-te morrer

Nos versos do poeta triste

(Edmar Oliveira)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

este é de quando tinha 17 anos




você tem


olhos de gato,
bicho do mato

corpo de pêra,
bicho da seda

marcas de rato,
maroto, ingrato

beijo de amora,
cigana espanhola

dentes de cão,
cara de não

sorriso de ave,
astro & nave

pés de centopéia,
feitiço de velha

escamas de peixe,
nunca me deixe

pêlos de abelha,
crista vermelha

asas de morcego,
ciúme, apego

mãos de lagosta,
segredos de ostra


e disse pra mim,
cai fora do meu jardim!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

DASDOIDA



a primeira lei da natureza é a tolerância, já que todos nós temos uma porção de erros e fraquezas
Voltaire

sábado, 14 de novembro de 2009

você tem razão


eu olho
que tu vejas
onde ele
déja viu

iconoclássica bobagem de quem não tem
cem paus
bilhete único, vale-transporte ou a grana
do busão

o microvestido causa tremendo
rebuliço
agora escrevo o amanhã que já não sei
se há
se houve, se haveria e se será
à vera

ao ir-me indo vou
pasmo
porque o tesão não acha mais a carne, a rima
& a solução

tomo o elevador visionário (do shopping)
parei
de parar, de balançar cem mil vezes o barco
bêbado
da paixão em bicas jorrando ao céu
seus rufos

de que adianta construir pontes entre
os mistérios
e seguir caminhamando
sem sustos?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

a história é uma visão-pensamento do que aconteceu

foto de Alex Branco

Queridos tios V. e R.:

Depois de pesar muitos prós e contras, resolvi que era hora de falar com vocês da perda que nos atingiu recentemente, o trágico falecimento da tia L. Preocupava-me a princípio se não seria pior ficar a remexer no que talvez lhes dê melhor azo a oração, perdão e esquecimento, por outro lado, me angustiava com a atitude omissa numa hora delicada da vida familiar. Se não encontrarem consolo nestas palavras, que vos fique ao menos a intenção dele; melhor achei correr o risco do que silenciar com quem sempre foi generoso e acolhedor para comigo e os meus.

Na vida profissional e pessoal passei por diversas vezes a situação de perder o convívio de alguém que escolheu a morte voluntária, o auto-sacrifício. Isto me ensinou alguma coisa? Sim e não, já que nem todas as lições da vida são dizíveis, quer dizer, não vos saberia aqui expressar o muito ou pouco que aprendi, mas acabei por desenvolver uma certa maneira (instintiva) de agir quando as situações concretas sobrevêm. Há um tipo de conhecimento que não acessa o juízo: está em nós como que tatuado ou marcado a ferro, cosido às tripas.

No entanto, o mais árduo, incerto ― e ainda inacabado ―, aprendizado diz respeito a não julgar. De tempos em tempos preciso que me lembrem que sou apenas (e na melhor das hipóteses) um simples curador, não um magistrado. Para começar a saber julgar os outros e a mim mesmo precisaria talvez viver toda uma outra vida de novo ― e não estou certo de que alcançasse grandes resultados. A passagem dos anos na janela da profissão me ensinou que o conhecimento é tanto mais precário quanto mais se aproxima da mente e dos sentimentos das pessoas. Mesmo com todas as técnicas terapêuticas, avanços científicos e pílulas, o sofrimento humano ainda é vastamente indomável. Acredito que a tia fez o que fez porque tinha esgotado todos os seus recursos contra a dor de viver.

Dizem que há no universo uma radiação que veio da explosão inicial que originou estrelas, galáxias e buracos negros, o chamado “ruído de fundo” do cosmos. Conosco se dá o mesmo: desde o nascimento temos que lidar com a falta, falta comida, falta água, falta ar, falta amor. Tudo isso precisamos doravante obter do mundo, e é a dor, o constante ruído de fundo da necessidade, que nos move em busca do que falta. A dor de existir não é uma abstração de poetas, é coisa a que todos devemos nos habituar desde o berço, algo como um veludo negro que dá realce às jóias raras da nossa alegria.

Podemos comparar esta dor fundamental com os zumbidos de ouvido, que pioram com o silêncio e a escuridão. Mas que fique bem claro e assente: esta treva silenciosa não reflete a solidão que advém do abandono da sociedade, da família ou dos amigos, é antes efeito de um desterro da alma, o abandono de quem está intimamente perdido de si mesmo.

O suicídio é um crime sem criminoso, um crime contra a vida que deixa culpados os que não morreram. Quero poder lembrar da tia L. sem culpa, até porque todas as memórias que tenho dela são de uma pessoa viva, estridentemente viva, retumbante em suas opiniões e posições políticas, uma mulher bonita, passional e cheia de contradições (como todos nós somos, aliás). L.R.F. foi muitas coisas enquanto viveu e muitas continuará sendo enquanto viverem os que a conhecem e amam; seu gesto final não tem o poder de a resumir. Não há de ser o último acorde que definirá uma sinfonia.

Passei a infância escutando dos adultos o quanto era parecido com ela nos menores detalhes do rosto, do jeito, do caráter; minha avó materna me chamava de “L.inho”, e tenho disso muito, muito orgulho. Se há uma coisa de que não sofro é de vergonha ou mágoa das minhas raízes, reconheço em todos aqueles, familiares ou não, amigos e inimigos que fizeram parte da minha biografia, a parcela que depositaram no amontoado de partes e restos que sou hoje. Afirmo sem pudor a minha história, sou feito de tudo que vivi e de todos que passaram, passam e passarão na minha vida.

A grande riqueza da vida são as pessoas que amamos verdadeiramente, a grande tristeza da vida é que perdemos essas pessoas, o grande consolo é que o amor fica ― tudo passa com o tempo, só as obras do amor permanecem em sua fragilidade pertinaz. Recebam um beijo carinhoso do sobrinho que os ama,

M.

Claudinha


Repete o bordão
A frase, o machado
Risca o chão
Nem pisca
Não
É não e acabou


Encolhe-se num canto
Pranto, a fúria da mãe
A despedaçar a tua casa
A virar tua mesa
Os pezinhos delicados correm
Tentando evitar os cacos de louça
Mas não conseguem
Nunca conseguiram


O refúgio no amado
Equilíbrio
Tranquilidade
Sofreguidão
Tatuados a fogo na perna
Pra sempre
Mas pra sempre
Não pode ser pra sempre
E isso dói
De esvaziar o intestino
De sangrar de raiva


De tanto achar que a parede
Não acaba
Acaba convencida

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

sábado, 7 de novembro de 2009

as moscas do tempo gostam de uma flecha



time flies
like an arrow
I dwelt
upon
thy knee
the line
of the thigh
thy back
the neckbone
arms pressing together
the outer side of fine
little breasts
I’ve got stuck
worshipping an idle
accentuated
body
exaggerated by disease
and rendered twice
over body
it was something in the highest degree
fleeting and tenuous
a thought
a delusion
the frightful
infinitely alluring
dream
whose unconscious questioning
of the universe
received no answer
save
a hollow silence

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DRAGÃO OCIDENTAL PADRÃO




Antes da excomunhão, os papas costumam condenar ao “silêncio obsequioso”,

que foi o que você fez comigo, sem tirar nem por,

usando palavras neutras e sonsas de manual de auto-ajuda

― é o próprio inferno, penso no que você me disse o dia inteiro:

“Esquece, ou você vai acabar me odiando, não posso mais ficar com você”

não dá, porra, sua ausência se alastrou como uma praga

dentro da minha cabeça, uma pústula inchada e vazia

meu apartamento parece um estádio de futebol, calado, imenso,

e pelas regras do jogo que jogávamos não posso reclamar,

pelas suas malditas regras eu posso ficar louco,

virado no cão, mas sempre quieto, digno e produtivo

devo aceitar o fim com maturidade (quase uma libertação),

chorar durante sete semanas frias e, ao fim, levantar o luto

virar a página, fazer a fila andar, não é assim?

cair na balada, ligar para os amigos, ativar a agenda e...

terminar a noite ligando bêbado para uma mensagem gravada

mas isto não vai ficar assim, vou te denunciar pro Denarc,

espalhar que você planta maconha no quintal, que vende crack pra velhinhas,

vou me suicidar no Facebook, divulgar nossas fotos na Praia do Sono, vou

vou nada!, vou o caralho!, vou é ficar aqui ruminando as suas pérolas:

“Quando o amor acaba, é como quando acaba a bebida da festa:

acende a luz, junta o lixo e vai embora”

como a vida é simples pra você, não?

acontece que eu te perdi, é tipo uma morte, sabia?

acontece que a vida acaba, mas a morte não

é como se você estivesse morta só pra mim,

só eu não posso te escrever, encontrar, falar e não adianta tentar explicar

NINGUÉM PODE ENTENDER O QUE EU PERDI (EM/COM) VOCÊ

e já que você sempre carrega frases tãntricas/tétricas

na algibeira que explicam toda e qualquer situação,

vou te lembrar uma historinha budista:

“Caminhava Buda por uma estrada quando
avistou um cachorro devorado pelos vermes,
encheu-se então o Buda de infinita compaixão
pelo cão e resolveu livrá-lo dos carrapatos;
retornava o Iluminado ao seu caminho, quando
foi tomado o seu coração de infinita compaixão
por eles, voltou atrás, cortou um pedaço da
própria carne e deu-a aos vermes.”

Você só não tem pena do sanguessuga que nunca deixei de

Ser

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

o perfume tragicômico da carne



ah, minh’alma mal
acabada
sombra de um maldormido
sonho
por fora risonha e branca
trágica e vermelha
por dentro

ah, minha terra querida
nação moribunda
como é poética a imagem do moço
encontrado
morto dentro do carrinho
de supermercado

quanto vale, ou é por quilo?

amigos, que graça nascer no desespero resignado
de resignação desesperada
aqui o sol não morre nunca
nem nasce o mar sem plumas
berço e tumba
da nossa vergonha (coberta de asas)
libidinal nudez

ah, que idiota sou
compondo versos de água
elegias da neblina
elogios ao rio escuro de água
dormente
esse rio de noites estreladas
e águas cobertas de luar
e cadáveres desovados

meu canto é café coado
na calcinha
canto a luz do céu
de Suely
este meu coração funâmbulo
que desliza por rios
de matéria choca
que sofre e sonha e reza
para formas espectrais

a imperfeição de que tudo é feito
é o que o teu corpo solidário
derrama em mim
nas coisas
por que
passa

pois igual às perifas e favelas
morros, quebradas e montes aprazíveis
da minha terra
me sinto irmão dos que estão vivos
e dos mortos
órfão

humano só sou na dor

domingo, 18 de outubro de 2009

eu tenho a mania de ouvir poesia (no que os outros dizem)



sou irremediavelmente autodidata
leio com o estômago
escrevo com os ouvidos
apago frases incompreensíveis
com o fígado

sou brasileiro
natural de São Paulo
de Luanda
malandro-agulha
PhD em cultura
inútil

anoto frases dos outros
no ponto de ônibus
metrô, trem, lotação
enquanto espero na faixa
ou tomo café no balcão
leio o jornal da padoca
pergunto que horas
são

microculto em taras, trívia
patacoadas e perversão
macroignorante da vida
burguêsmente me assusto
com a bananalidade
do mel

adormeci e acordei
em Mumbuca, Tocantins
onde a doutora em paciência diz:
“A gente se formou em ter filhos
e eleger candidatos”

na teleaula do gratuito horário eleitoral
meu diploma é título
de otário
acadêmico da votação
formado em
desigualdade
violência
e beleza natural

sábado, 17 de outubro de 2009

Espaço Plínio Marcos, Editora Quizomba e Dasdoida convidam


terça-feira, 13 de outubro de 2009

anatomia patológica

ninguém nasce humano

torna-se

o homem não existe

é inventado

(cópia da máscara de outra cópia)

o que há é o homo sapiens

assassino

voraz

estuprador

sob a seda, a escapar dos punhos de renda

o orangotango

consumidor/explorador/detonador de tudo aquilo

que é e que não é

self

sem essa

de socialismo ou barbárie

sem essa

da natureza essencialmente má

sem essa

do selvagem naturalmente bom

isenção de impostos

para

a confissão agnóstica

já!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

não se prenda

Untitled from Jamila Maia on Vimeo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

o Demônio de Maxwell



onde a coisa é
o vir-a-ser
copula
silêncio com pulso
objeto-sujeito
o ruído branco
a pausa
o mergulho

estar
evanescer

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

um Vietnã e meio por ano


os meninos estão raivosos
na correria, crescendo, matando
e são filhos meus seus nossos
os carros são furiosos e velozes


Malcolm X, gandola, tênis de basquete
DJ no prato, puxa o sample, faz o scratch
Wu-Tang Clan, Marvin Gaye, 2Pac, Sabotage
CGezinha, 765, AK
47


as meninas viram top
models, poetas
mulher-placa, vampiras lésbicas, operadoras
de telemarketing
calça popozuda, progressiva, Queen
Latifah, gloss


as bombas de fragmentação soltam
pedacinhos
os meninos lá, só filmando
o abismo
os meninos do vapor, tropeçando
no muro
e o que eles não aceitam é tomar no cu
sozinhos

não querem mais
pagar a fatura
se foderem amplo, irrestrito
e geral
na fratura do apartheid
social