sábado, 14 de fevereiro de 2009

diário de debutante



tenho hora marcada, disse
a recepcionista pergunta com quem
com o desencontro, pensei

impaciente por demais
não espero o poema
maturar
ou por demais avoada
perco-o para as distrações cotidianas

talvez só o calo
da vida
contra o furco
tempo
proteja do vento e da chuva
(as portas que dão para o mundo
arrombou-as o poeta)

para não entupir de morte
a alma
neguei (3 vezes) a vida
limitei restringi calquei
tudo que cresce ao redor do
agora

até que, de repente, alguém grita
― um rato!
mas aí já é tarde
como, pergunta estoutra, senhora
de cartórios e rendas,
distinguir os domésticos, dos migratórios, dos de laboratório?

talvez sobrevivam apenas
as perdas
que troco por novas
ilusões
e depois de me separar
de tudo e todos que amei
ainda
adiar o fim
a mim
mesma

animal-nuvem-museu
carne de fuga permanente
rosto sempre palavra
incoagulável
comunidade arborizante das entrelinhas
onde roço o espectro das não-coisas
tangendo rebanhos de abismo
eus mudo

6 comentários:

Dalva M. Ferreira disse...

Sei lá viu. Quisera fazer uma crítica profunda, mas a única coisa que me vem à mente é que acho o teu poema-reflexão muito longo. Porque o meu cérebro anda muito curto, ando com fast-thinking. Tem muito conteúdo, muitos achados, para a minha impressão final, eu não abarco tudo. Eu dividiria em 3 poemas, e ainda sobraria grandeza.

missosso disse...

combanheira, se alma não é pequena -- e a sua definitivamente não é -- vale a pena. tks pela atenção e bjs

Antonio Bento disse...

Ah! missosso é homem ou mulher, como Chico Buarque ou David Bowe?

Anônimo disse...

O círculo dos círculos se abre e se fecha, o olho que tudo olha não pisca em vão: a beleza está em você tê-la descoberto...

missosso disse...

como dizia uma filósofo que aprendi a gostar, gosto de meninos e meninas... e a beleza está sempre onde não a esperava.

angela disse...

amigo! Um titulo tão corriqueiro, tão singelo e aí vem esse texto tão complexo...