quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Aldeia dos 4 Montes - Cap. 16

Aldeia dos Quatro Montes




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16

Ana Luísa acordou com frio.
Olhou para o pequeno relógio de cabeceira que sempre a acompanhava. Eram quase sete horas, faltavam dois minutos.
Virou-se para o outro lado e puxou para si a roupa.
Depois lembrou-se…
Levantou-se, vestiu o roupão e foi direita à janela do quarto. Abriu as duas portadas interiores…
O seu quarto dava para as traseiras da casa. O jardim estava completamente branco… Branco de neve… Branco que se estendia até mais ver, até aos montes que marcavam o horizonte.
O céu continuava cor de cinza claro.
Colocou as costas da mão no vidro. Um arrepio subiu desde a mão… E, no entanto, sentia o calor do radiador, logo por baixo da janela.
Decidiu arranjar-se para sair… Tomar um banho bem quente, comer qualquer coisa e sair para dar um passeio naquela neve. Esperava que António Augusto a pudesse acompanhar.
Este já estava tomar o pequeno-almoço. Leite com uma colher de café solúvel adoçado com mel e uma fatia de pão, escuro, com manteiga…
Ouviu os ruídos que Ana Luísa provocava no andar de cima.
Ela iria apreciar esta nevada… Lembrava-se perfeitamente de que ela e Júlio gostavam da neve, indo todos os anos passar férias em estâncias de esqui.
Coitado do Júlio. Morrer tão cedo… Decididamente, a vida, às vezes, é muito injusta. Preocupava-o a forma como Ana Luísa estava a lidar com esta perda. Tinha-a convidado para vir até 4 Montes, pensando que uma mudança de ambiente lhe faria bem.
Tinha-se deixado ficar em casa, quando os amigos a convidavam para sair apresentava sempre uma qualquer razão para não aceitar.
Nos primeiros dias em 4 Montes, notara que ela estava mais solta… Falavam muito, queria saber tudo…
Depois, o tempo mudara… Veio a chuva e o frio, o céu acinzentara-se e o ânimo de Ana Luísa fora-se perdendo…
António Augusto levantou-se da mesa. Colocou a chávena e o prato na bancada da cozinha.
Na varanda, sentiu o ar gelado. Foi vestir um casaco e voltou a sair.
As nuvens cobriam todo o céu… Mas a vista era límpida, tornando tudo muito nítido… Até parecia que estava a ver uma daquelas imagens em alta definição. A neve caíra com força durante a noite. Na sebe que separava a casa do jardim, amontoaram-se uns dois centímetros de branco.
Tinham-lhe dito que, depois de nevar, a temperatura subia… Mas, estava um frio capaz de congelar um chocolate quente! Bbrrr…
Atrás de si, ouviu a porta de vidro a correr na calha de alumínio…
- Bom dia, António Augusto! A sua previsão estava certa. Que nevada!
- Ana Luísa parece-me que não está bem agasalhada. Está muito frio aqui fora…
- Mas a paisagem está linda!
António Augusto entrou para ir buscar um casaco.
Ana Luísa adorava o frio, o ar gelado, a vista daquele manto branco… Ia começar a descer os degraus até ao jardim, quando António Augusto lhe colocou nos ombros um casaco.
A escada que descia da varanda quase não tinha neve nos degraus.
Mal pôs os pés na neve, sentiu o quebrar dos cristais de gelo… Era uma neve muito seca, que rugia quando a pisava.
Não resistiu…
Com as mãos começou a apanhá-la e fez uma bola bem grandinha.
Virou-se e atirou-a a António Augusto que estava junto ao corrimão da varanda.
Apanhado desprevenido pelo gesto de Ana Luísa, António Augusto não teve tempo de se desviar completamente.
A bola acertou-lhe na parte superior do braço direito que ele levantara, instintivamente, para se proteger.
Ficou cheio de neve no cabelo e na cara…
Ana Luísa deu uma gargalhada e começou a fazer outra bola.
António Augusto desceu e, ao passar por Ana Luísa, deu-lhe um ligeiro empurrão e afastou-se para trás de uma das oliveiras, ainda jovens, que havia no jardim.
Ana Luísa atirou-lhe com a bola de neve mas, desta vez, falhou redondamente o alvo.
António Augusto já estava municiado com duas que saíram a voar na direcção de Ana Luísa.



(Estória, em capítulos, aos Domingos e Quartas)
Aviso: qualquer semelhança com nomes ou situações reais será mera coincidência... Esta é uma obra de ficção, resultado da pouca imaginação do autor.

4 comentários:

missosso disse...

aí há coisa, esses dois têm contas antigas a acertar, disso estou certo.

José Doutel Coroado disse...

Caro Missosso,
aguarde os próximos capítulos...
rrss..
abs

ps: velha táctica para segurar o people!

missosso disse...

está a dar certo, pelintra!

José Doutel Coroado disse...

rrss...