quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

se eu fechasse os olhos agora

não há mais Isolda
não há mais Tristão
eu sou o seio
o deus
o anjo
o íncubo
o hermafrodito
e a besta

por que não suporto o verdadeiramente
outro
ao invés de buscar um outro exemplar
de mim
?

no bolso do tempo andará o poeta
a revelar buracos revolver
abismos
onde não os supúnhamos

(antes de me fundir à existência
fui
o mundo ele mesmo no momento que ignora
cisma
entre ser e querer)

vaguei por mares sem guia
na perigosa
estação das lembranças
venci tempestades de lágrimas
imagens temores estados de alma
e o vento que me
seguia

inútil fechar os olhos tapar
os ouvidos
sempre alguma coisa se passa
dentro
imaginação fluxo torrente
incessante de representações desejos
afetos

que se preserve o couro do sapato e os dias

2 comentários:

angela disse...

E o sonho poeta sem o qual o couro do sapato e os dias são inúteis.

maria disse...

"Sempre alguma coisa passa dentro"

perceber o abstrato não me parece nada simples, mas suas palavras ajudam, muito!

Muita luz!