domingo, 21 de novembro de 2010

Aldeia dos 4 Montes - Cap. 11

Aldeia dos Quatro Montes


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11

Pedro bateu a porta de casa e dirigiu-se ao carro, estacionado mesmo em frente ao café do pai. Reparou, então, que, ao balcão, estava o Senhor Director e uma outra pessoa. Já agora, aproveitava a oportunidade e resolvia a questão do convite para escrever no Mensageiro de 4 Montes.
- Caro Engenheiro, ainda bem que aparece. Estávamos aqui a analisar o impacto que a instalação daquele equipamento de regulação de tráfego vai trazer à nossa terra…
- … Equipamento de regulação de tráfego?!
- Não me diga que ainda não teve conhecimento deste surpreendente acontecimento?
- Mas, estão a falar de quê?
- O melhor é ires ver… Já agora, Pedro, com essa tua mania de não gostares de Sua Excelência, vê lá se não exageras no bota-abaixo, disse-lhe o pai.
- Pai, quem o ouvir há-de pensar que eu não posso com o homem… Tenho mais que fazer do que me preocupar com isso. Bom, mas afinal, o que é essa coisa de que falava o Senhor Director… Regulação de …?
Ana Luísa estava curiosa para saber o ponto de vista de Pedro.
- Estão a instalar uns semáforos no cruzamento ali acima…
- …?!
O rosto de Pedro transmitia uma sensação de espanto.
- Semáforos? Aonde…?
- No cruzamento junto ao Lar…
- E para que raio é preciso isso? Querem ver que, agora, em 4 Montes toda a gente vai passar a ter carro? Ah… Já sei! Sua Excelência, sempre tão atento aos velhinhos, mandou colocar os semáforos para eles poderem atravessar a rua com segurança…
Esta tirada provocou uma gargalhada.
- Ah… e também servirá para a miudagem da Escola… estais mesmo a ver a criançada a sair da escola, virem pela rua até ao cruzamento e esperar pelo sinal para atravessar…
- É bem visto… ainda não tinha pensado nisso, disse o Senhor Director.
Ana Luísa apreciou o sentido de humor, ainda que crítico, de Pedro.
- Agora a sério… Acha mesmo que se justifica?
- Parece-me que não… Não imagino quanto custará, mas não consigo ver justificação para este tipo de investimento…
Salústrio tentava, também ele, descobrir a jogada por trás daquele facto, tão inopinado.
- Senhor Director, quando é que são as próximas eleições?
- Não… Duvido que tenha algo a ver com isso! Ainda faltam mais de dois anos…
- Mas eu não me lembro de algum dia, alguém ter falado da instalação de uns semáforos em 4 Montes… Não há trânsito que o justifique!
Salústrio puxava pelas ideias.
- A XP, a empresa que está a fazer as obras, será que anda a precisar de ganhar algum?
O Senhor Director, sem abrir muito o jogo, porque senão lá se ia o artigo que estava a pensar escrever depois da conversa que tivera com o Engenheiro Xavier, informou-os de que não seria bem por aí que descobririam os motivos da Administração.
Pedro tentava encontrar uma alternativa, razoável, para a obra.
- O Senhor Director podia fazer uma entrevista a Sua Excelência… Não existe melhor fonte de informação!
- Não é tarde, nem é cedo! Vou já falar com Sua Excelência.
E saiu porta fora… Dois segundos depois, entreabria a porta.
- Caro amigo, volto já para pagar o cafezinho!
- Esteja à vontade!
Ana Luísa pediu um chá de cidreira e uma torrada. Pedro despediu-se e decidiu ir dar uma vista de olhos à tal obra.
Saindo do Largo da República, a rua da Boavista subia ligeiramente. O passeio, em pequenos cubos de granito, era suficientemente largo para, de onde em onde, acomodar umas árvores. Com o andar do Outono, estavam quase despidas de folhas, que se esparramavam pelo chão, voando com a ligeira brisa, fria.
Ao longe, mesmo no cruzamento, a labuta continuava. Já estavam colocados todos os suportes, nas quatro esquinas. Uma grua tinha elevado um par de trabalhadores.
O engenheiro Xavier acabava de sair do seu carro, um pouco à frente de Pedro.
- Caro colega! Como vai? Há anos que não o via! Dê cá um abraço!
Pedro e o Engenheiro Xavier foram-se aproximando do cruzamento, enquanto conversavam animadamente.


(Estória, em capítulos, aos Domingos e Quartas)
Aviso: qualquer semelhança com nomes ou situações reais será mera coincidência... Esta é uma obra de ficção, resultado da pouca imaginação do autor.

2 comentários:

missosso disse...

Hahaha, muito genial! 4 Montes é a Sucupira portuguesa, a que servirá o semáforo? Isto é melhor que novela, fortes parabéns Josephus!

angela disse...

E o suspense continua...
Vamos ver ter que aguardar o desenrolar de muita coisa ainda.
Abraços