quarta-feira, 22 de outubro de 2008

para conhecer o gosto da pêra é preciso comê-la




qual verdade
a minha mentira invoca
como garantia imanente?
quem é esse
ao qual estou grudado mais que ao meu corpo
mais que a mim mesmo
cimento/cemitério dos entes que me parasitam
do qual testemunham meus fetiches, calundus, covardias,
minha persona precariamente civilizada?


quem morre?
pergunta o verdureiro
aquele que usa máquinas
e é máquina em suas obras
tem coração de máquina
(por isso) perdeu a simplicidade


o que quer dizer
pensar?
se for não ter ainda desaparecido, digo que:
o meu desaparecimento é pior que todos os outros
(...)
a vizinhança com o ser
é apenas o parentesco mais radical


a dialética dos falsos objetivos
nega
que a ordem e a conexão das idéias
espelha
o caos e a dissolução
das coisas


Quem fala?
pergunta-fundamento
pressuposto político
revelação
ato de fé
daquele que mora
no Tao

2 comentários:

Paulo Henrique disse...

o que espanta (thaumázein) tanto os filósofos? descobrirem-se, enfim, parte de um espetáculo de marionetes (thaûma) ou perceberem-se mortos falantes? qual caminho? Belos textos, dá vontade de roubar, como as pêras.

Anônimo disse...

Quem é o ente humano que se atreveu, a caminhar valente dentro de si, para fazer-se livre o bastante, superando merecendo os próprios pensamentos, a ponto de conduzir a própria vida à companhia íntima daquele que esta cravado em seu interior. O Espírito!
Estou aprendendo...
Sds. Piscar.