quarta-feira, 15 de outubro de 2008

sem poesia não se faz nem a mais reles suruba (cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco)


Desenho de I.C.


toda mulher é meio lola
sob hipocrisias medulares
a esbórnia matinal da vida



toda mulher é do mundo
as mil estilhas cintilantes
das palavras e das bombas



toda mulher quer ser feliz
e
gostaria de andar nua
por dentro e por fora



é preciso deseducar (se)
senão as coisas se perdem dentro da gente
ficam sepultadas
ou saem na urina e no cocô



se a tua alma não fosse um corpo
eu gritaria do fundo da noite dos teus cabelos-névoa
ou da tua boca, que é um berço, onde torpe navego
pelo teu dorso, longo pelo ao vento
no leito do teu sexo, escuro como as paixões serôdias

3 comentários:

Paulo Henrique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Henrique disse...

"a potência de suportar/ apaixonar-se (páskhein) é a mesma de fazer/ poetar (poieîn)" (Aristóteles, Metafísica, 1046a, 20). Como aumenta isso?

ADIEMUS disse...

Gostei!
Belo desenho!