segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Póros dos caminhos

Foto de Stephanie Meirelles

“Dizem que a paixão corre pelos caminhos/passagens (póros)” Aristóteles, Do que vem e do que vai, mormente traduzido por
Da geração e da corrupção, 325b.

Para os atomistas Leucipo e Demócrito, existem infinitos átomos
e invisível vazio. Mais curioso, quem toca o átomo empurra o vazio,
e quem procura o vazio aproxima-se dos átomos. Nos termos de Aristóteles:
“Se algo possui ‘em potência’ certas características e ‘em ato’ outras, não pode sofrer naturalmente uma paixão numa de suas partes e noutra não (...) Assim se poderia falar, com mais precisão, dos caminhos/ passagens (póros)” {Aristóteles, Do que vem e o do que vai, 326b}.
Do laço entre o ato e a potência, entre o visível e o invisível, cria-se a passagem. Platão não acreditava na existência do vazio. Isso é bem triste, significa dizer que o infinito não dá as caras por aqui,
- mundinho pequeno o dele.

4 comentários:

Carolina Platero disse...

e poderia a existência caber na finitude??

BENDITAS
Mart’nália - Zélia Duncan

"Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas"

Paulo Henrique disse...

não no olhar finito.

Paulo Henrique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Henrique disse...

“Benjamin conjecturava filmar a “proto-história de Paris”: “não seria possível realizar um filme apaixonante a partir do mapa de Paris?A partir da evolução de suas diversas configurações ao longo do tempo?A partir da condensação do movimento circular, boulevards, passagens, praças, no espaço de meia hora? Não é isso que faz o flâneur?” Evocando o anacrônico para compreender o moderno, Benjamin procura nas passagens a Paris pré-histórica e supra-temporal. Esses “templos da mercadoria”, em suas “ ruas lascivas de comércio”, projetam o bazar oriental no mundo burguês, testemunhando a metamorfose de todas as coisas à luz de sua venalidade. Neste teatro de feerias, na duração de um passeio em suas galerias, o cliente torna-se senhor virtual do mundo.” (Olgária Matos: http://64.233.169.104/search?q=cache:-q4ACCI6F_oJ:www.compos.org.br/data/biblioteca_230.pdf+Benjamin+passagens&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=16&gl=br