quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ORDÁLIO

na verdade o poema me dói
quando vem
lacerando dentro
& fora

nascido de muitíssimas mães
navegando
por uma escura casa
de um canto
ainda mais obscuro
uma certa época
em que fui profundamente
infeliz

às vezes
um abandono doloroso
ou
um peso insuportável
mas a cada vez
e sempre:
um exorcismo

querer escapar
do mundo
é traduzi
lo

na verdade o poema vem
de um lugar sujo
& virgem
da minha
alma

um outro eu
mau
de uma violência grandiosa
demoníaca

cravando
os dentes na vida
e quando ele começa a falar
nos diz que foi
enjeitado

6 comentários:

angela disse...

E como pode ser tão belo?

missosso disse...

então, não sei.

José Doutel Coroado disse...

belo!
abs

Dalva Maria Ferreira disse...

Meu Deus, quanta dor, quanta verdade exposta, e quanta consciência! Eu aqui, lendo isso ao som da "Meditation", de Massenet, tive um nirvana, ou quase tanto.

missosso disse...

tks, aí está é no que dá isso de poetar: a gente acaba falando umas verdades.

maria disse...

"As lágrimas que nesse momento descem...Não me impede de ver a escuridão, o terror..."

As vezes me dói também!

Mas é belo,devo concordar.