quinta-feira, 6 de novembro de 2008

DISSIMILITUDO


no calendário
há os dias pretos e os dias vermelhos
em vermelho são as festas e feriados, nacionais e internacionais, como o Primeiro de Maio
os dias em preto são quase todos
os dias
a história acontece em dias pretos
mas é lembrada nos dias vermelhos



tive pena do cão magro na rua
vivi um romance no cruzar de olhares
dentro do elevador
com isso os dias pretos ficam pretos
sem compaixão, sem amor



recordar
é fazer passar de novo pelo coração
precisamos celebrar sem dia especial
qualquer micro-explosão do ser
realçar os pequenos momentos afetivos
amputar a seqüência neurótica que repete
gastos fantasmas



comemorar
(lembrar junto)
re-produzir memórias íntimas, compartidas



e então abandono a idéia de tempo como sucessão
de eventos
e já não sei mais que dias são pretos ou vermelhos


5 comentários:

Paulo Henrique disse...

"amputar a seqüência neurótica que repete gastos fantasmas". isso é bárbaro, são gastos e caros estes fantasmas, só quebrando tudo mano!

Dalva M. Ferreira disse...

Ai que medo de que esse texto porventura não fosse teu!!! Eu teria tomado o remédio errado, e a minha bolha não seria assim tão solução.

ADIEMUS disse...

PQP...coisa de entidade mesmo!Me dá um autógrafo?

missosso disse...

há que vos agradecer, a generosa leitura, mas advirto: o pior sempre está por vir...

carolina platero disse...

confesso que meus dias não só pretos e vermelhos... não são só verde, anil, amerelo, os meus dias também são cor-de-rosa e carvão...

(com licença poética, claro)

=]