sexta-feira, 14 de novembro de 2008

por que não me ufano... de ser h(um)ano - I

se perder a memória
torno-me outra(s) pessoa(s)
ou fico cada vez mais
igual a mim mesmo?


o errante sem bagagem
solta o lastro da essência
mas conserva a paixão urgente
do acidental


neste caso a ipseidade
é seguramente um problema
metafísico
não seria mais uma
ilusão?


examinemos as soluções tradicionais:

- não podendo fazer a justiça ser forte
procura-se fazer com que a força seja justa
- se a autonomia é fonte da ética, pode a liberdade
intercambiar de meio a fim
- na Inglaterra medieval, ‘person’ na paróquia,
só o padre
- o rei pede um espelho quando os súditos falham
em lhe reconhecer a majestade
- os outros me vêem, em mim alguém me pensa,
ontologia do ator...


o (hu)mano devém um ser moral
(e nunca mais tira férias disso?)

beijar a boca
que me escarra
afiar
a garra que me afaga

2 comentários:

Paulo Henrique disse...

se a verdade (alethéia - não esquecimento) nos faz rememorar (anamnésis) a possibilidade (dýnamis) de esquecer (léthes), no fundo de tudo: a ausência, ancoradouro das relações amorosas, a pátria para onde sempre retornamos (Novalis). Às vezes, para ser humano, é preciso ser esquecer as humanidades.

Dalva M. Ferreira disse...

Lembrei daquele texto da mãe e da filha que pegaram a rua errada e foram parar na favela. Dureza...