terça-feira, 12 de agosto de 2008

TUDO COMEÇA EM CASA




Não está longe o dia em que supercomputadores quânticos
determinarão
a situação ontológica
dos objetos estéticos
seja ela neurótica, psicótica ou mesmo psicossomática

A Grande Artéria contrata relações perversas
como tentativa de desviar
a angústia
de fragmentação, delírios


hobos
os man catchers da West Madison St, Ch.
as crianças
e seus brinquedos de dominar
acontecimentos e traumas\\
fidalgos sentiam a necessidade de guardar as aparências
por isso
não foram os heróis do capitalismo:
habitar a ambigüidade
sem hesitações
matar, pilhar, roubar
sem duvidar de sua cristandade


a dor irrompe
como epifenômeno
da ultrapassagem
de uma certa intensidade
assim como um conjunto
de oscilações peródico-rítmicas
dos investimentos e contra-investimentos ao nível da báscula Eu-objeto


o faria visitar a casa e lhe
mostraria
a varanda de balaustrada branca
o chafariz
o banco de pedra
a relva
o quiosque chinês
o pavilhão dos pássaros
o lago rodeado de árvores misteriosas
(sonhos de uma futura morta)


De longe,
a minha vida parece uma busca
deliberada de humilhações
que na verdade
são absolutamente secundárias e
de resto
só ecoam o ruído de fundo
da grande explosão que não há
quando vier o Big Sleep

Um comentário:

Dalva Maria Ferreira disse...

"...a dor que deveras sente." Quem diria! Não eras máquina? Toma!