quarta-feira, 10 de setembro de 2008

o homem é estranho a si mesmo como lhe é estranha a natureza, a qual não sabe nada dele


Devia ter, se muito, sete anos; era uma daquelas tardes sem fim

o elefante na savana desgarrado da manada

estava deitado de barriga para cima no assoalho

solitário, nenhuma aliá, ou filhote, ou amigo, ou rival, ia com ele

de tábuas corridas da varanda que dava para o pátio

estaca subitamente, o gesto é inconfundível:

da casa dos meus avós ― um dia de calor estival

está amedrontado com o que vê, dá meia volta

lembro que pensava no Universo infinito

sabe-se velho, mas não tanto: ainda não chegou a sua hora

e que entrei em pânico ao tentar imaginar o que haveria

aquilo é um cemitério E AQUELE ANIMAL TEM PLENA CONSCIÊNCIA DISSO

para além do que o pensamento podia alcançar

(...)

como são as coisas que não correspondem a nenhuma palavra?
é possível uma não-coisa?
Deus não existem?

Um comentário:

Paulo disse...

para além do pensamento é algo iluminado ou que ilumina? é algo gerado ou potência que gera?