sexta-feira, 11 de julho de 2008

Muro


O oráculo do I Ching me adverte
Inverte a meia lua seu sorriso
A noite se transforma em nevoeiro
Estrelas desenhando seu aviso

As árvores não brincam com seus galhos
O vento frio que corta nas orelhas
De dia o céu embaça e não tem brilho
O sol fita severo com seu olho

Casacos, cachecóis e pára-raios
Não cobrem, não protegem nosso topo
Medidas preventivas não evitam
Medidas curativas não confortam

A falta que sentimos do futuro
A intimidade que nunca teremos
Desejo espatifado contra o muro
A cama que jamais dividiremos

O amor que não brincou em nossos lábios
Ocaso avermelhado e poeirento
O trânsito, suas luzes, rádio-táxis

Trabalho, faculdade, dia-a-dia
O trem onde cochilo dez minutos
E sonho com tuas mãos no meu cabelo

Um comentário:

missosso disse...

belo, belo,caro MV. A poesia vem vindo: "hear my train, are coming..."