segunda-feira, 9 de junho de 2008

O Menino Maluquinho e o seu Milhãozinho


Na Grécia antiga, coroavam-se os atletas, os guerreiros e os poetas. Platão propunha, com sabedoria, vim a admitir mais tarde, que os poetas devem ser coroados e, logo em seguida, exilados. Platão sabia das coisas.
Nossos ídolos podem nos desapontar, pior, eles sempre vão nos desapontar... basta que a gente viva para ver. Por isso é que hoje não tenho mais ídolos, nem no esporte, nem nas artes e muito menos na política!
Recentemente a justiça (?) brasileira concedeu uma polpuda indenização ao cartunista Ziraldo, criador do imortal Menino Maluquinho -- R$ 1.000.000,00! O cartunista alega ter sido prejudicado em sua carreira pelo regime militar vigente entre 1964 e 1984 no Brasil.
Aqui vemos a nossa forma maneirinha de fazer história: nunca encarar de frente, nada de dar o nome aos bois, jamais jogar luz no passado sujo de milicos e terroristas. Aos primeiros, concede-se a impunidade, aos segundos, a mesma impunidade e uns trocados. Argentina, Uruguai, Espanha e Portugal, pra ficar em poucos exemplos, abriram seus arquivos dos anos de chumbo. E nós, temos medo de quê?
O que não é possível neste país tropical com uma marquetagem eficiente e bon$ advogado$! Depois de vender seus trabalhos para a propaganda nacionalista do governo Médici, Ziraldo consegue ser indenizado na onda das compensações em dinheiro (a bolsa-ditadura) -- somos, e Ziraldo mais ainda, uns gênios!
Então fica assim: Ziraldin, mineirin espertin, meninin maluquin que não rasga din-din, levou seu milhãozin. Pena que foi o seu, o meu, o nosso suado dinheirin...
Eu, que nunca em dias de minha vida botei os olhos em cima de uma dinheirama dessas, fiquei a saber que cor tem 1 milhão de reais: É FLICTS!!!!!!!!!

P.S.: não sejamos injustos, outros têm se beneficiado da indústria de indenizações, pex., Carlos Heitor Cony. O curioso é que vítimas pobres da ditadura não conseguem...

Um comentário:

Dalva Maria Ferreira disse...

Epa!Opa! Que negócio é esse de laurear e exilar? Hmmm... se bem que, dependendo do exílio... Tá, topo. Só me deixa escolher o meu paradeiro, pode? Deixovê: Dinamarca? Suíça, de preferência em Lugano, às margens do Lago Maggiore, comendo chocolate e recitando éclogas e ditirambos? Legal. Ah: sou mineira, seu doutor. Igualzim.